He was doing up to 40 hits of crack a day at one point. Now he is in the Complexo Prates rehab centre and has been clean for several months.
The facilities are impressive. There is a health unit that sees around 100 cases a day for assessments, prescriptions of antidepressants, counselling sessions and various types of therapy.
Brazil's military police carry out an operation to remove drug users and arrest dealers in São Paulo in 2012. Photograph: News Free/CON/Getty Images.
Residents, who come voluntarily, can play dominos or table football, take art classes or study to ready and write. There is a computer room, table football, dormitory accomodation for 110 adults and 20 juveniles, as well as a dining room that serves four meals a day.
Myrtes Cavalcante, mental health coordinator for the central west region of São Paulo believe the crack issue has been hyped by the media. There is not a big increase in users in São Paulo and compulsory intervention is not a new development.
"We are treating more and hosting more. We're containing the problem. It's not getting worse", 'she insists. However, the health minister Alexandre Padilha says the nationwide situation is at epidemic levels. Last December, Brazil's president, Dilma Rousseff, announced a 4 billion-reais plan to tackle crack addition through education, training and the provision of more rehabilitation staff and beds. But it has got off to a slow start.
São Paulo - which aims to be a model - has only 700 beds available and expects to increase that number to 1,100 next year. Shortages are even greater elsewhere. The biggest growth areas for the drug now are in the inland and northern provinces, many of which now have their own Cracolândias.
Critics say a fundamental flaw in the approach by the authorities is that they have not properly assessed the scale of the problem or conducted studies to monitor the effectiveness of different types of treatment. There is also little coordination between different branches of government. "The money is being spent on nothing. It makes me so angry," says Ronaldo Laranjeira, director of the National Institute of Alcohol and Drug Policies at the Federal University of São Paulo. "When I talk to my colleagues in the government, they don't have a clue. I don't think they have a plan at all. It's a mess. Implementation is chaotic."
Cracolândia is as low as you can go in society," he says. "It is an aberration that would not be allowed in any other country. We have to get these people off the the streets."
Laranjeira supports compulsory intervengtion on the grounds of equality. Currently, he says, involuntary intervention is mostly only carried out for users from middle-class families, whose parents or siblings pay doctors to prescribe a period of treatment. The same support should be available to all, the government adviser says.
"In extreme cases, crack users need involuntary treatment. This is not a punishment... This is not an issue of freedom or long-term incarceration. These people are really sick. They need short-term treatment for a month." It is hard to find crack users who agree. "I think treatment should be compulsory. As a user, I know how good the drug feels and how hard it is to reject it. When you are on the drug, you can't control yourself," says Chris, who is now back in rehabilitation.
Full of youthful energy, she grins and gesticulates as she talks about her struggel to start afresh. "I fell better. I've been clean a week now. The staff here are like mothers to me."
There is clearly a close bond between them, but next week, Chris will turn 17 and then she can no longer be treated as a juvenile. That means a lot less government support and a heightened risk that she will end up back in Cracolândia. At the moment, she feels there is nowhere else she can go, including her old home.
"If I went back, it wouldn't help. My entire family is addicted."
With the Cracolândia community dispersing, Chris is also resigning herself to not being reunited with her mother any time soon. "She said she'd be with me for my 18th birthday, but I don't knwo if that is going to happens."
artigo de
Vitor Hugo Brandalise publicado no jornal
O Estado de S. Paulo de
10 Dezembro 2010.
Philippe Bourgois, antropólogo norte-americano (de camisa azul):
'NUNCA VI CRACOLÂNDIA TÃO SOCIÁVEL', diz expert
Pesquisador de crack há 25 anos, ele acha que em outros países as áreas de uso de droga são mais violentas que em São Paulo.
Símbolo da degradação do centro de São Paulo, a Cracolândia é uma área amistosa. Pelo menos quando comparada a locais de viciados de outros países. É o que garante Philippe Bourgois, antropólogo norte-americano. Autor de 2 livros sobre cocaína crack e estudioso de regiões tomadas pela droga nos Estados Unidos, França, Canadá e Colômbia, percorreu a Cracolândia paulistana pela 1a. vez por hora e meia. E concluiu que se trata da 'mais sociável e amigável cena de crack' que já visitou e isso pode ser uma vantagem na solução do problema.
Eram 15 horas quando Bourgois parou na frente de uma roda de samba formada por usuários com cachimbos no bolso e bumbo na mão, que comemoravam um aniversário. Intrigado, ele observou as 70 pessoas na esquina da Alameda Cleveland com a Rua Helvétia. Dançavam e fumavam crack.
Bourgois pediu uma média com leite no bar da esquina, encostou na parede e, em pouco tempo, foi rodeado por usuários. Um deles falava inglês fluentemente.
'De quarta-feira em diante, o pessoal festeja para esquecer de tudo nesse sambão', contou Carlos, ex-gerente de restaurante em Porto Alegre, na Cracolândia há 2 meses. A espontaneidade do samba, os sorrisos e as piadas surpreenderam o antropólogo, que há 25 anos pesquisa o crack e se acostumou à violência de Três Esquinas, em Bogotá, na Colômbia, objeto de seu último estudo.
. Qual sua impressão sobre a Cracolândia?
É, com certeza, a mais sociável e amigável cena do crack que já presenciei. Nada do que vi parece com o que há aqui. Não se vê em outros lugares esse nível de relaxamento e sociabilidade, pessoas fazendo música, enquanto fumam crack. Muito impressionante. Em Amsterdão, há algo parecido num espaço próprio para socialização, mas é local assistido, com enfermeiras. Aqui é espontâneo.
.
Como isso pode ser benéfico?
Qualquer ligação com a a realidade que resgate humanidade ajuda o viciado a deixar o vício. Aqui parece claro que se deve usar a música e o caráter sociável do brasileiro. É realmente algo difícil de encontrar em outras cenas. Deve ser estudado e utilizado na busca por soluções. Uma estratégia de redução de danos é diminuir o ritmo do crack, fazer com que as pessoas fumem menos. É interessante perceber que aqui isso acontece quase naturalmente. É comum ficar completamente destrutivo fumando crack. Aqui, no meio de 70 pessoas, a maioria ainda era capaz de sorrir e conversar. Traz esperança de que o Brasil pode achar formas de lidar com o problema.
. Como fazer?
Acredito em políticas de redução de danos, que criam ligações com a realidade fora do crack. Aqui parece claro que a música deve ser usada em um programa de ensino, que estimule a responsabilidade dos dependentes. Eles serão respeitados pelo que sabem, ensinarão a toca. Aos poucos terão vontade de largar o vício. Defendo programas que levem trabalho, música, religião. Alivia o policiamento ostensivo e não sobrecarrega o sistema de saúde.
. Em outros países a violência é maior?
Nos Estados Unidos, há menos usuários nas aglomerações de dependentes, mas eles são muito mais violentos. No Canadá também não há esse nível de sociabilidade. Isso é inédito em meus estudos e tem de ser estudado e usado para buscar soluções para o problema. Na Colômbia, eles são mais encurralados, ficam mais violentos, estão mais fora de controle. Em Três Esquinas, Bogotá, a polícia não entra, a não ser para invadir.
. Há modelo contra o problema?
Existe uma crise no mundo. Ninguém sabe exatamente qual modelo usar. Se nem mesmo a biomedicina entende completamente o problema do crack, então é preciso usar a imaginação. Pensar de uma forma diferente, usar o contexto social e pensar em alternativas. Porque a tragédia do crack, embora as comunidades tenham características diferentes, é sempre parecida. Falamos em sociabilidade, mas claro que nem tudo é positivo. Se há pouca violência entre eles, isso também significa uma forma de sedução. E, apesar de parecer um local mais leve, a devastação causada pela droga está toda ali: os mesmos corpos magros, a prostituição, mulheres grávidas, crianças dependentes. Também há gente que carrega cartas de recomendação, certificados de empregados do mês, fotos da família, que tenta agarrar-se à vida que tinha antes carregando papéis que a representam. Isso é outra característica comum, que deve ser enxergada como oportunidade: perceber que muitos estão ali, querem sair, mas não conseguem. É preciso, então, criar um ambiente de auxílio.
Phillippe Bourgois, de 54 anos, nasceu no Upper East Side de Manhattan, New York. Depois de se formar em antropologia e viver na América Central, voltou ao seu país para estudar o problema das drogas. Viveu 5 anos no Harlem, New York, então tomado por traficantes. Pós-doutorado na área, contou as experiências em 2 livros.
Philippe Bourgois (wearing a blue shirt) talks to a crack-cocaine user at Crackville-SP.
Homeless kids sleep in the footpath... having the image of the State of São Paulo as backdrop...